Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu, 2022. Série: "Tragédias Anunciadas". Calcogravura.
84,1 x 59,4 cm (suporte) | 67 x 43,5 cm (mancha gráfica). PU


texto conceitual

A composição pictórica de Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu Nacional foi realizada através da combinação do mapa do Estreito de Bering (com orientação cartográfica e escala modificada – relacionada ao tempo de queima do incêndio e a idade do crânio), do fóssil humano mais antigo encontrado na América do Sul (crânio de Luzia) e a transcrição de uma chamada de jornal (Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu Nacional). O crânio foi encontrado na década de 1970, em Minas Gerais, pela arqueóloga Annette Laming-Emperaire, com uma datação de cerca de 11,5 mil anos – um dos fósseis mais antigos de todo o continente americano. essa peça representou uma revolução histórica sobre o conhecimento acerca do povoamento do continente americano e causou uma ruptura na teoria de que o homo sapiens chegou ao continente pelo estreito de bering, representado na gravura. A existência de luzia, então, sugere que o ser humano atravessou o estreito de bering antes do povo clóvis, há cerca de 14 mil ou 15 mil anos, e, com o tempo, migrou para o sul. Isto posto, luzia é um tesouro não só brasileiro, mas mundial. 11,5 mil anos de história foram lastimavelmente destruídos em seis (6) horas e, ainda ressaltando sua importância, mercedes okumura, coordenadora do laboratório de estudos evolutivos da universidade de são paulo (USP), diz: "acredito que a luzia tenha sido uma das peças mais icônicas perdidas nessa tragédia. ela faz parte da discussão dos povoamentos das américas, fez com que discutíssemos mais esse tema e foi uma das maiores fontes de produção científica do país”. Essa obra busca, dessa maneira, construir uma relação histórica e temporal entre a memória e a importância do crânio de luzia com o trágico incidente que ocorreu em 2018, no museu nacional do rio de janeiro. Através da reflexão de identidades e territórios, esse trabalho constrói uma composição visual cartográfica objetivando a coesão poética entre fato e história, procurando enfatizar a existência atravessada pela literalidade por meio de uma espécie de deslocamento do real.


descritivo

Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu Nacional é uma calcogravura feita por meio das técnicas de água-forte, serigrafia e ácido direto (lávis) sobre uma placa de cobre de 67 x 43,5 cm, impressa em um papel de 84,1 x 59,4 cm. Prova única, sua composição pictórica foi realizada através da combinação do mapa do Estreito de Bering (com orientação cartográfica e escala modificada – relacionada ao tempo de queima do incêndio e a idade do crânio), do fóssil humano mais antigo encontrado na América do Sul (crânio de Luzia) e a transcrição de uma chamada de jornal (“Crânio de Luzia é encontrado nos escombros do Museu Nacional”). A obra busca, dessa maneira, construir uma relação histórica e temporal da memória e importância do crânio de luzia com o trágico incidente que ocorreu em 2018, no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

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